12/15/2011
Uma Estrela Se Apaga
Bem, antes de qualquer coisa, quero lembrá-los que esse blog é para mim e não para vocês. Quem lê o meu blog, eu agradeço muito, mas esse blog é para eu escrever sobre o que eu sinto. Quem quiser, de verdade, o Super Nerd News é um ótimo blog e é destinado para os leitores, mas esse pode ser que deprima vocês de vez em quando.
Como hoje. Essa noite, uma estrela se apaga no céu. Minha avó, Dona Teresinha, morreu ontem à noite, de embolia pulmonar. Dia 27 de Novembro, ela havia sofrido um derrame. O foda mesmo é que ela tava melhorando. Então, do nada, meu tio liga falando que ela tava indo pro hospital. Dali cinco minutos, o marido da minha tia, que é minha madrinha, liga pro meu pai, que era genro da minha vó. Ela tinha falecido.
Demorou um tempo pra cair a ficha, sabe, fazer a ligação. Estávamos em Ubatuba, então subimos a serra correndo, dormimos umas cinco horas, enquanto o corpo estava no IML, e depois corremos para São Paulo. Eu pensei nisso durante a noite e durante o dia, cheguei a ver o corpo dela, mas nada me ocorreu. Estava mal, sim, mas não completamente. Fiquei conversando com meus primos, ri, me diverti. Então, eu fui ver minha mãe e o corpo.
Foi aí que me ocorreu. Por mais que eu soubesse de tudo, foi naquela hora que simplesmente me dei conta, sabe. Assimilei, enfim, que ela tinha ido. Ahh, isso é simplesmente horrível. Horrível. Chorar dá dor de cabeça. Corri para o banheiro, para que ninguém me visse. Não por vergonha, mas eu precisava ser forte para minha família. Minha mãe, filha dela, precisa de mim. Meu irmão precisa de mim. E eu aguento mais que eles, tenho o dever de ajudá-los, entende?!
Bem, isso passa, acho. Não agora, mas daqui a pouco. Logo, logo passa. E a minha família, ver todos chorando, sofrendo, é duro. É difícil. Mas passa.
Beijos e abraços,
Corram pelados,
P.S.: Eu voltarei, prometo.
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A Casa Escura
A bala perdida atravessou a vida
O sangue quente respingou na batente
Da porta da casa escura
O corpo frio acertou
A porta da casa escura
A bala perdida atravessou a vida
O moleque chorando cresceu com raiva
Tentou estudar, mas tinha que sustentar
Aquela maldita casa escura
Bateu à porta da casa escura
Pedindo ajuda, querendo ajudar
Gritou, brigou, mas a casa estava vazia
Seus antigos donos se mudaram da casa do povo
Esqueceram Brasília "Eu vou é pro Rio!"
Pra Copacabana, deitar numa cama
Que se dane a escola, eu vou embora
Que se dane essa laia, eu vou é pra praia
A bala perdida não estava tão perdida assim
Cresceu nas ruas, esqueceu do povo
Esqueceu das artes, esqueceu da cultura
Só dinheiro importava, nessa vida dura
A bala perdida nasceu na ignorância
Cresceu dançando essa dança
A casa escura precisava de alguém
Mas, agora, não sobrara ninguém
Hipócritas prepotentes e ignorantes decadentes
Assumiram o poder. Mas o país continuava no escuro
A bala de perdera em algum lugar
Nalgum beco escuro, no meio da balada
Na hora da quebrada, num pozinho branco,
Num zero no banco, na batalha perdida
Na ignorância de todos a sua volta
Na aceitação do povo brasileiro
A bala perdida atrevessou a vida
Manchou a porta da casa escura
Do sangue escuro do cidadão brasileiro
O cidadão morreu, mas ninguém ligou
A bala cresceu e, a casa escura,
Apenas escureceu.